Estamos, constantemente, a falar sobre o mesmo assunto, pensam alguns. Infelizmente, enquanto não conseguirmos ver para além do horizonte, enquanto não formos capazes de nos despir de preconceitos, enquanto não conseguirmos perceber e aceitar opiniões e atitudes contrárias ao que defendemos, temos de falar sobre isto. Isto da amamentação.
Faço parte de dois ou três grupos de mães no facebook onde o propósito do grupo é discutir alguns temas e ajudar quando necessário. Não fazem ideia das coisas que por lá se passam. Não sei quantas foram as vezes que vi mães a perguntar qual será o melhor leite para aliviar as cólicas ou até dicas para fazer o desmame e o contra-ataque das mães fundamentalistas da amamentação. Por isso é que muitas mães escondem o que passaram, por isso é que muitas mães fingem que amamentam, por isso é que muitas mães não saem à rua na hora das refeições dos seus bebés. E isto, a meu ver, é grave.
Quando li este post escrito pela Margarida (
aqui) e este escrito pela Ana (
aqui), só consegui dar-lhes os parabéns porque aproveitaram a voz que têm nos seus
blogs para dizer o que tantas mães pensam e não têm coragem: "a amamentação não está a correr bem e não, não quero tentar mais". Deixemo-nos de julgar ou de criticar. Todos conhecemos os benefícios da amamentação e todos sabemos o quanto é, sobretudo, melhor para o bebé mas ninguém fala das mães. E é triste, uma mãe passa 9 meses a ser acarinhada por todos e, de repente, o que interessa são, apenas e somente, as necessidades daquele novo ser. Não. Para mim, não. Uma mãe tem pleno direito de escolher se quer amamentar ou não e ninguém tem de fazer julgamentos.
Há uns anos (cerca de 10, penso eu) uma amiga minha ficou grávida do primeiro filho. Na altura eu teria 24 anos e ela 26, mais ou menos. Lembro-me perfeitamente de estarmos no hospital e da enfermeira entrar no quarto com o biberão numa mão e com um comprimido para secar o leite na outra. Achei aquilo tão estranho. Quando lhe perguntei acerca da sua decisão, repondeu-me "simplesmente não quero amamentar". Fiquei angustiada naquela altura mas hoje olho para trás e penso que é uma perfeita parvoíce. Ela estava perfeitamente a par de todas as vantagens e desvantagens da atitude que acabara de tomar e, no entanto, não vacilou. E nós, família e amigos, só tivemos de aceitar e apoiar a sua decisão porque, quem a tomou, saberá com toda a certeza o que é melhor para ela e para o bebé.
E não se é má mãe por escolher outro caminho. Senão, como é que poderíamos ser más mães quando prescindimos de não estar bem, para passar a estar a 100% para o nosso bebé? Quando deixamos de chorar a cada mamada, para passar a estarmos de sorriso no rosto a dar um biberão? Há o mesmo sentimento de amor quando se dá um biberão, sabiam?
Por isso, acredito que cada mãe saberá o que é melhor para si e para o seu filho. A amamentação não é uma experiência agradável para todas! Deixemo-nos de floreados e partilhemos a realidade, mesmo que ela seja dura. Não deixemos que a próxima geração de mães pense que é obrigatório dar de mamar porque não é, em primeiro lugar é uma escolha da mãe, agora e sempre! Por último, quero, também, lembrar que a amamentação não depende somente da vontade da mãe, uma boa parte desta experiência diz respeito à performance do bebé, consigo dizer isso hoje depois de ter tido a minha segunda filha, a Frederica (mas isso fica para outro post).
Lembrem-se: ninguém tem de tomar decisões por vocês, nem ninguém tem o direito de opinar sobre as decisões tomadas por vós. Vocês é que são mães, o bebé é vosso, a relação é vossa. Vocês é que sabem.
Fotografia pela lente da Rita Alvim (
aqui)
Um beijinho,
Mafalda